Elogio não paga boleto

Por que o aplauso do mercado pode ser o sinal mais perigoso pro seu caixa.

Tem um tipo de cliente que machuca mais do que o que critica.

É o que elogia.

Aquele que comenta "que conteúdo incrível", salva o post, manda pra um amigo… e some.

Você abre o caixa no fim do mês esperando encontrar o reflexo do aplauso. E o que tem lá dentro é silêncio.

Elogio não paga escola de filho. Não cobre aluguel. Não vira jantar de domingo.

Elogio é o cliente provando sua comida, dizendo "que delícia" e indo embora sem pagar, deixando você sozinho com a louça suja e a sensação esquisita de que fez tudo certo, mas algo não fechou a conta.

Elogio é anestesia, não compra

"O aplauso costuma chegar quando você já deixou de incomodar alguém." — Nelson Rodrigues

Quando o cliente consome uma boa dica sua, o cérebro dele libera oxitocina. A sensação boa de ter aprendido. "Ah, que bom que eu sei disso agora."

E aí mora a armadilha.

Oxitocina sacia. Dopamina age.

Quem move alguém pra mandar um Pix não é o aprendizado. É a antecipação de uma vida melhor do outro lado da decisão.

Pensa numa cena boba: você chega no bar faminto, vai pedir um prato cheio. Mas o garçom tira a sua fome quando oferece amendoim de cortesia e você come a tigela inteira.

Na hora do cardápio, pede só uma porção pequena.

Conteúdo educativo demais faz isso com o seu cliente. Você acha que constrói autoridade, quando está enchendo o seu futuro cliente de amendoim antes do jantar.

Ele agradece. Salva. Elogia e está saciado.

O mar de iguais é fundo

"Num mundo cheio de vacas marrons, a única que vende é a vaca roxa." — Seth Godin

O cérebro do seu cliente tem um filtro de sobrevivência e ele só registra o que destoa do padrão.

A neurociência chama isso de distinction bias. Na prática, significa o seguinte: tudo que se parece com tudo, o cérebro joga no lixo antes mesmo de você terminar a frase.

E aí vem a parte que dói…

Você se posiciona como "especialista em alta performance". Promete "resultado consistente". Fala em "método validado". Usa as mesmas palavras, as mesmas paletas, os mesmos hooks que mais 800 perfis no seu nicho usam essa semana.

E então, você não é ignorado por ser ruim, você é ignorado por ser confundível.

É a diferença entre competência técnica e diferenciação percebida. Duas coisas que quase ninguém separa (e que são quase opostas no digital).

Você pode ser o melhor do mercado, mas se o cérebro do cliente te confunde com a paisagem, você é invisível pra ele.

Competir nesse mar de iguais é como gritar num estádio lotado. Não importa o que você grita.

Ninguém ouve uma voz a mais.

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